Maria, simplesmente Maria

Publicado em 07/09/2011

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No finzinho do dia, uma melancolia tomava conta de todo o seu corpo. Sempre dizia que era a pior parte. Talvez por ser o momento em que o ritmo diminuía e se sentia sozinha. Ligava sempre para todos os filhos, para os irmãos e alguns netos. Se alguém não pedia “bença”, ela tratava logo de abençoar assim mesmo, como se desta maneira conseguisse afastar as coisas ruins e manter a proteção de toda sua família.

Suas mãos, tão pequenas e cuidadosamente enfeitadas com um esmalte rosa cintilante contrastavam com a espessura, atestado do trabalho que realizou durante toda a sua vida, de maneira árdua, e incansável. Nunca teve vergonha e nem preguiça de trabalhar, de acordar cedo.

Na última viagem que fizemos já dava sinais de cansaço. Repetia várias vezes: “nem que seja pela última vez”, e fez tudo que teve vontade pela última vez. Aliás, sempre fez tudo que quis, desde menina.

Hoje, após cinco meses de seu falecimento, sinto saudades do jeito que balançava o copo quando oferecia alguma coisa, das várias sacolinhas plásticas que carregava nas viagens, da mão no queixo quando estava pensando ou tirava fotos. Saudade, saudade! E pensar que várias dessas atitudes me irritavam profundamente e agora fazem tanta falta.

Poderia ter ligado mais vezes, visitado mais vezes, abraçado e dito que amava, mas, agora, só restam o silêncio e as lembranças. Maria, simplesmente Maria, minha querida avó que a sua santinha continue nos dando forças para seguirmos em frente e que conforte o nosso coração.

Publicado em: Perfis e Reportagens