No finzinho do dia, uma melancolia tomava conta de todo o seu corpo. Sempre dizia que era a pior parte. Talvez por ser o momento em que o ritmo diminuía e se sentia sozinha. Ligava sempre para todos os filhos, para os irmãos e alguns netos. Se alguém não pedia “bença”, ela tratava logo de abençoar assim mesmo, como se desta maneira conseguisse afastar as coisas ruins e manter a proteção de toda sua família.
Suas mãos, tão pequenas e cuidadosamente enfeitadas com um esmalte rosa cintilante contrastavam com a espessura, atestado do trabalho que realizou durante toda a sua vida, de maneira árdua, e incansável. Nunca teve vergonha e nem preguiça de trabalhar, de acordar cedo.
Na última viagem que fizemos já dava sinais de cansaço. Repetia várias vezes: “nem que seja pela última vez”, e fez tudo que teve vontade pela última vez. Aliás, sempre fez tudo que quis, desde menina.
Hoje, após cinco meses de seu falecimento, sinto saudades do jeito que balançava o copo quando oferecia alguma coisa, das várias sacolinhas plásticas que carregava nas viagens, da mão no queixo quando estava pensando ou tirava fotos. Saudade, saudade! E pensar que várias dessas atitudes me irritavam profundamente e agora fazem tanta falta.
Poderia ter ligado mais vezes, visitado mais vezes, abraçado e dito que amava, mas, agora, só restam o silêncio e as lembranças. Maria, simplesmente Maria, minha querida avó que a sua santinha continue nos dando forças para seguirmos em frente e que conforte o nosso coração.



Bruna Pinheiro
08/09/2011
Que lindo, brother! Adorei o post da família desfragmentada também. Bom ver que está de volta ao Reconvexo!
ps: tô com preguiça de recuperar minha senha do Flickr agora, por isso, comentarei aqui: AMEI O BORBOLETÁRIO!! *-*