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Por Laís Costa

Cuiabá esconde ruas. Pude perceber isso dias atrás quando acompanhei uma amiga que se auto-intitula um “GPS humano”, ou seja, dotada de alta capacidade de localização geográfica. E vejo que só pessoas assim conseguem andar pelas várias ruas de calçadas de pedras da capital.

Ao longo delas, muitas lojas coloridas que parecem competir sempre. Competem para vender mais que a vizinha; para ser mais colorida que a vizinha; e por fim, para ser mais colorida que o calçamento da rua.

Saímos de uma dessas ruas coloridas e entramos na primeira transversal da avenida mais antiga e mais movimentada, e diga-se uma das mais estreitas, a Getúlio Vargas. Essa rua fica no “pé” da Getúlio Vargas para quem vai em direção à região do Goiabeiras.

Era meio-dia e eu não agüentava mais andar naquele calor. Após poucos segundos da minha última reclamação de cansaço, entramos em uma porta estreita que parecia porta de banco e fica em frente ao restaurante de donos japoneses.

A porta giratória marrom impedia a visão de quem estava lá dentro. Ao entrar, o local pareceu bem menor do pouco que podia ser visto pelo lado de fora da porta. Se tivesse quatro metros quadrados era muito, mas talvez pelo número de pessoas na pequena sala de espera parecesse menor ainda.

Ao contrário dos bancos, onde ao entrar as fileiras de cadeiras estão em sua frente, nesse lugar, ao entrar as cadeiras ficam do lado direito, ou seja, todos são vistos quando entram. As três fileiras estavam todas ocupadas, e ficamos em pé ao lado do bebedor, colocado na outra extremidade da sala.

Além do bebedor, havia uma mesa em frente às fileiras de cadeiras com uma máquina que cuspia senha desesperadamente. Atrás da mesa uma moça pronta para responder as dúvidas, quando elas não existiam a moça ensaiava um sorriso e abaixava os olhos para a revista que estava lendo.

Ao lado da mesa, um segurança sentado em um cadeira e uma samambaia disputavam a atenção de quem passava por ele em direção aos caixas, dispostos atrás da mesa da moça, mas separados por uma parede de gesso.

Percebi que demoraria e minha amiga me informou que era por causa das festas de fim ano. Faltavam menos de cinco dias para o Natal. Normalmente, segundo ela, o atendimento é rápido e a sala só fica lotada nessa época e antes do carnaval.

A minha posição, em pé ao lado do bebedor, facilitou minha visão e análise das pessoas que estavam sentadas. Fui advertida pela minha amiga para ser mais discreta porque algumas pessoas perceberam que eu as olhava e aquele não era o lugar para a minha análise normal de gestos e detalhes.

Entendi que aquele era um momento de perda para muitos deles. Além da dificuldade financeira por qual deveriam estar sofrendo, deixavam ali, além de jóias, os sentimentos que as acompanhavam. Aquele momento no banco era mais uma despedida e um último momento de pensar na história daquele objeto como extensão ou parte do seu corpo.

Quando sentamos em frente ao caixa a atendente pegou um número de um contrato e foi até uma sala. Ao nosso lado, uma senhora entregou o papel e esperava com uma respiração ansiosa para que sua atendente voltasse logo com o saquinho plástico e dentro dele suas lembranças em forma de anéis, colares, pulseiras e pingentes.

Estávamos do lado do “resgate”, das jóias e das lembranças. Pelo pouco que fiquei percebi que nenhuma colocava a jóia imediatamente, talvez precisassem de outro momento para renascer.

A fileira da frente, sem nenhuma divisória, era o local de penhora das jóias. Vi um rapaz sentar em frente ao caixa e tirar uma corrente de ouro amarelo com um enorme crucifixo, muito maior que os normais. Enquanto o atendente fazia o cadastro, o homem olhava a corrente em sua mão e analisava os anéis e a pulseira em seus braços. Quando foi escolher o que colocava na balança, tirou a pulseira, a aliança e somente a corrente. O crucifixo ficou em um compartimento da carteira junto a um “santinho”, talvez assim ele pensasse que teria proteção para voltar e pegar o que deixou. Ou, pelo menos, não levar a única coisa que restava, sua fé materializada no crucifixo.

 

Now is the time of our comfort and plenty
These are the days we’ve been working for
Nothing can touch us and nothing can harm us
No, nothing goes wrong anymore
Singing a song with your feet on the dashboard
A cigarette streaming into the night
These are the things that I want to remember
I want to remember you by

They won’t come again, because love is the end
Oh no my friend, love is the end

I took off my clothes and I ran to the ocean
Looking for somewhere to start anew
And when I was drowning in that holy water
All I could think of was you
Oh my friend love is the end
So best not pretend, because love is the end

Take it back, don’t let it die
Oh rage against the fall of night
Because I still do depend on you
Don’t say those words that run me through

Oh love is the end
So let’s not pretend, because love is the end

And so I tread the only road
The only road I know
Nowhere to go but home
Nowhere to go
Maybe our time is up
But still you can’t abandon
All the principles of love
Don’t say those words
Oh, don’t say those words
Don’t say those words
Don’t say those words

Meus amigos não aguentam mais me ouvir falar das fotos que fiz do Luís Carlos Vasconcelos, o Palhaço Xuxu. Divulguei aqui no Reconvexo a foto que eu mais gostei. Mas como tenho fotografado pouquíssimo, colocarei o ensaio completo.

Palhaço Xuxu

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Fim

Fim

Um outro Hamlet

Por Laís Costa

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“Ser ou não ser, eis a questão”. Quando João Manuel estiver em algum palco repetindo – talvez pela milésima vez – a dúvida de Hamlet, provavelmente estará projetando seus próprios sentimentos.

Hamlet é considerada a tragédia mais marcante da história do teatro. A genialidade de Shakespeare deu caráter atemporal à obra, que trata de relações e sentimentos inerentes ao seres humanos em qualquer época: traição, solidão, angústias, dúvidas, vingança e até o complexo de Édipo.

No caso de João e o protagonista que ele encarna, ambos têm em comum uma dúvida sobre si mesmos. Para João, jornalismo, teatro ou os dois? A angústia do ser, ou do não ser, faz com que ele pareça um personagem em construção, mesmo fora dos palcos.

Mais que evidentes, seu aspecto físico, alto e magro, e principalmente sua risada, desengonçada, são naturalmente as características que marcam o primeiro contato pra quem o vê no saguão da faculdade, na UFMT, onde cursa jornalismo. Mais dias de convivência e tem-se uma noção do quanto é falante.

No teatro, Hamlet não será a primeira tragédia na vida de João. Édipo Rei, de Sófocles, foi a primeira peça como profissional que João encenou. Na ocasião, ele viveu Édipo, mas “o texto foi adaptado de uma forma que todos os atores, no total 32, pudessem contar a história do personagem. Não era focado só em mim, isso me deu mais tranqüilidade”.

Adquiriu técnica em Artes Dramáticas no curso que participou durante um ano em Cuiabá, mas semanalmente ia para Barra do Garças ver sua família, mãe e irmã. Fez mais de 40 viagens durante esse ano. João teve seu primeiro contato com o teatro em um Centro Espírita que sua mãe freqüentava na cidade-natal, Barra do Garças. No leste de Mato Grosso, fronteira com Goiás, o município tem pouco mais de 55 mil habitantes, que na verdade se sentem goianos e até utilizam o fuso horário de estado vizinho – o que acaba confundindo quem é de fora e, talvez, os próprios moradores.

O misticismo e as lendas marcam Barra do Garças. A presença de discos voadores – existe até um aeroporto para recebê-los-, o Portal de Aquário, o paralelo 16, a Serra do Roncador e fósseis de dinossauros são características da região presentes no cotidiano dos moradores. Na vida de João, mais ainda. Não é por menos: seus pais eram esotéricos.

João

João

Ao sair de sua cidade e vir para a capital, o sentimento de viver em uma região de fronteira não saiu de João. Agora o dilema é escolher o jornalismo ou o teatro.

No teatro, ainda de modo amador, João encenou algumas peças na escola em que estudava, até o dia em que soube do curso na capital, onde adquiriu conhecimento técnico. Disposto a por em prática o que aprendeu durante o curso de interpretação e com os novos amigos-atores, participou de grupos de teatro consolidados em Cuiabá, como o Mosaico. Mas, João decidiu montar uma companhia com sua amiga Thereza, que fez o curso junto com ele, para encenar as peças que desejava. Surge, então, a Companhia Thereza João.

Três contos de Lígia Fagundes Telles foram adaptados pela companhia, mas de “maneira muito embrionária, e apresentamos como ensaio aberto, não como espetáculo cênico”, diz João. Ainda assim, no teatro, acredita não ter o conhecimento teórico suficiente, o que faz pensar em cursar uma faculdade de Artes Cênicas.

No caso do Jornalismo, de modo confuso, João admite que falta “uma disposição interna” para se dedicar mais ao curso. Sem contar com os dias em que está viajando com algum espetáculo e as faltas são inevitáveis.

Fica claro o momento em que João está, o de decisão. Exatamente na linha que separa as fronteiras. Testar um dos caminhos seria uma solução ousada. Nesse mar de incertezas e, também, de possibilidades, o único destino imutável nessa história é o de Hamlet, pois o perigo e o desafio de encená-lo são as inevitáveis comparações com outros atores. Por conta disso, João pretende fazer “algum Hamlet, e não o Hamlet. Poderia ser uma releitura completamente diferente, uma coisa nonsense”. Talvez.

Influências no modo de viver, agir e pensar permeiam a nossa existência. Algumas são especiais e fazem parte de momentos mais especiais ainda. As divas que relacionei até aqui estão presentes somente em filmes. Em breve colocarei minhas divas da música também.

E pretendo fazer um post com os bonitões da minha vida, do cinema e da música.

Mas hoje os holofotes estão refletindo a beleza delas:

Bette Davis

Bette Davis

Meryl Streep

Meryl Streep

Brigitte Bardot

Brigitte Bardot

Catherine Deneuve

Catherine Deneuve

Anouk Aimee

Anouk Aimee

Mia Farrow

Mia Farrow

Penélope Cruz

Penélope Cruz

Audrey Tautou

Audrey Tautou

Scarlett Johansson

Scarlett Johansson

Por Laís Costa

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Fé e tradição, duas palavras que definem as apresentações dos grupos na oitava edição do Festival de Cururu e Siriri de Cuiabá. Na noite de abertura (29) detalhes importantes como iluminação, estrutura do palco, organização dos grupos e figurino, foram quase ofuscados pela manifestação de fé presentes nos cantos e imagens que cada grupo carregava em sua procissão de entrada.

Com a presença de São Benedito em um pequeno altar montado no “pé” do grande palco, os espectadores ouviram os lamentos das mulheres do Grupo de Chorado, de Vila Bela da Santíssima Trindade.

O “Chorado” são cânticos de súplica e surgiu no período de escravidão quando os homens eram presos ou estavam nos “paus-de-araras”, as mulheres seduziam os “senhores”, dançando com garrafas na cabeça e fazendo coreografias com o único objetivo de ver em liberdade os maridos, filhos ou irmãos.

Além do “Chorado”, grupos de Cururu e Siriri de Cuiabá, Santo Antônio do Leverger e Barão de Melgaço coloriram o palco e retiraram aplausos e gritos emocionados da platéia.

O Cururu é composto por violas-de-cocho e ganzás. As músicas sobre assuntos do cotidiano e religiosos são acompanhadas por sapateados dos homens, que dançam em círculo. Entre os grupos de Cururu de Mato Grosso vários deles são da região pantaneira.

As saias esvoaçantes das dançarinas do Siriri dão charme e leveza às coreografias. As músicas que embalam os casais ganham a companhia da viola-de-cocho, ganzá e do mocho. Em cada grupo um santo é escolhido como padroeiro e, normalmente, é o mesmo da comunidade de origem dos grupos.

Além dos santos, a mitologia e os símbolos matogrossenses são cenários vivos nas apresentações, desde o minhocão até a siriema.

As apresentações acontecem no bairro Porto hoje (30) e amanhã.

Confira a programação:

Sábado – 29 de agosto

Cururu  de Cuiabá – 19h

Grupos infantis

Nhana Santa – 19h15 – Várzea Grande

Passo Miudinho – 19h30 – Várzea Grande

Participação Especial

Melhor Idade de Varginha – 19h45 – Santo Antonio do Leverger

Grupos de Siriri

Bico de Prata – 20h15 – Santo Antonio do Leverger

Renascer do Valo Verde – 20h45 – Santo Antonio do Leverger

Unidos da Avenida – 21h15 – Santo Antonio do Leverger

Cururu de Cuiabá – 21h45

Flor do Campo – 22h – Cuiabá

Patucha – 22h30 – Chapada dos Guimarães

Tradição – 23h – Cáceres

Domingo – 30 de agosto de 2009

Cururu  de Cáceres, Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento– 18h

Grupos infantis

Yayá de Cuyabá– 18h15

Participação Especial

Quilombola – 18h30 – Nossa Senhora do Livramento

Grupos de Siriri

Pixé – 19h – Nova Mutum

Raízes Cuiabana – 19h30 – Cuiabá

Flor Ribeirinha – 20h – Cuiabá

Cururu – de Cáceres, Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento – 20h30

Viola de Cocho – 20h45 – Cuiabá

Unidos da Fronteira- 21h15 – Santo Antonio do Leverger

Tradição Pantaneira – 21h45 – São Pedro de Joselândia

A cobertura fotográfica está disponível no meu Flickr.

Hoje completa quarenta e sete anos da morte de uma das maiores divas que se tem notícia: Marilyn Monroe.

A curta, porém meteórica e inesquecível carreira de Marilyn no cinema foi essencial para a construção do mito. Sem contar das pôlemicas em que esteve envolvida, entre elas, o relacionamento com o J.F Kennedy que virou livro esse ano. Ainda não li, mas pretendo ainda esse mês.

Três meses antes de morrer Marilyn fez um ensaio com o fotógrafo americano Bert Stern. As fotos são belíssimas e a última lembrança da nossa diva!

MarylinMarilyn

Havana-me

Tem coisas que me fascinam completamente. Algumas eu já falei aqui no blog, outras eu sempre ensaio escrever algo, mas em muitos casos se perdem no meio do caminho. Um dos motivos de se perderem é que eu tenho uma péssima memória, creio que só a Dori (Procurando Nemo) ganha de mim.

Não poderia esquecer a ideia de hoje por ser uma das coisas que me pertencem. Pertencem ao meu cotidiano, a minha existência.

A música cubana é uma delas, especialmente a do Buena Vista Social Club, que na verdade era uma casa de shows em Havana, fechada na década de 50 como todas as outras casas que tinham orquestras e cassinos.

Buena Vista Social Club foi realizado pelo produtor musical Ruy Cooder que foi a Cuba, em 1996, e reuniu músicos para um projeto. O projeto deu origem a um CD e um documentário – belíssimos- com as presenças mais que especiais de cantores como Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo, Compay Segundo entre outros.

Eis algumas músicas:

As cenas do primeiro víedo pertencem ao documentário.

Impossível não falar do encontro de divas que ocorreu ano passado entre Omara Portuondo e Maria Bethânia:

A cidade perdida

Para quem ficou contagiado com a energia cubana, e quer conhecer mais sobre Cuba, eu indico o filme A cidade perdida, atuação e direção de Andy Garcia (lindo!), de  2005.

O personagem de Andy Garcia é dono de um clube – como era o Buena Vista- e a música embala sua história. O filme tem trilha sonora e fotografia incríveis.

A cidade perdida

A cidade perdida

Se tem uma coisa na internet que me fascina é encontrar coisas raras e belas.

Uma delas eu encontrei hoje no Youtube. Lugar paradisíaco para encontrar raridades.

Esse clipe lindíssimo da Maria Bethânia, Caetano Veloso e Vanessa da Mata.

Cat Power

Cat Power

Cat Power

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